Para falar sobre os desafios da atuação de assistentes sociais na Saúde e como a atual conjuntura impacta diretamente nesta área e também fazer a defesa do SUS, o CRESS/RN promoveu, na sexta-feira (25), o I Seminário Serviço Social e Saúde. O evento aconteceu no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, na UFRN, e teve na sua programação uma mesa de debates e rodas de conversas.
Na abertura, a vice-presidenta do CRESS/RN, Patrícia Lima, falou sobre a demanda da categoria para que o seminário acontecesse. “É um momento para refletirmos: O que tem sido cobrado de nós na Saúde? Conhecem os nossos parâmetros? Como as/os profissionais podem contribuir para terem respeitadas as suas competências?”, indagou.
A presidenta do CRESS/RN, Luana Soares, fez uma saudação inicial e destacou que o período político é muito difícil, com um projeto ultra-neoliberal implementado, não havendo dúvidas de quais são as intenções deste plano para a Saúde. “O Seminário deve refletir uma retomada da nossa luta em defesa da Saúde, tendo como perspectiva a Reforma Sanitária da década de 1980, que defendia um SUS gratuito, estatal e de qualidade”, afirmou.
O assistente social Jório Novais, que atua na Ouvidoria SUS do Município de Natal, relatou sua experiência de trabalho e no controle social, no Conselho Municipal de Saúde. “Temos uma responsabilidade central com o usuário, que é o de informar seus direitos”, destacou o profissional. “Um dos maiores problema que observamos é a violência institucional, sofrida pelos usuários nas unidades de Saúde”, disse.
Em sua fala, a assistente social Juliana Medeiros, que atua na Secretaria Municipal de Saúde de Natal, falou sobre assédio horizontal (aquele sofrido pela/o própria colega), da luta para que o Código de Ética Profissional seja respeitado. “Na UPA Esperança, nós dissemos não às demandas administrativas e burocráticas que não nos competiam, e contamos com o apoio do CRESS para isso”, relatou. “É muito importante fortalecermos a nossa luta por meio do Conselho e dos sindicatos”.
Ataques ao SUS na atual conjuntura
A mesa de abertura contou com palestra da profª Drª Maria Dalva Horácio, que falou sobre a Saúde em tempos de contrarreforma. Ela destacou que a discussão é fundamental, considerando que a área incorpora nacionalmente a maioria das/os assistentes sociais. “O ataque ao SUS significa também o ataque ao projeto da Reforma Sanitária, à universalização dos direitos e à proteção social do cidadão”, avaliou.
A professora destacou a importância da mobilização da categoria. “Precisamos entrar nas comissões dos CRESS, sindicatos, entrar em grupos de estudos para contrapor as informações que circulam na mídia e no WhatsApp, fugindo da despolitização”, afirma. “A estratégia do governo atual é ignorar o controle social, então qual a nossa pauta? Insistir na gestão participativa, no sentido de desobedecer e ocupar”, conclamou.
Ao fim da mesa, Dalva foi homenageada por sua aposentadoria e anos de dedicação ao Serviço Social e a UFRN. Emocionada, a professora agradeceu pela supresa e afirmou que tem muito orgulho de ser assistente social, pela possibilidade de ser também intelectual da classe trabalhadora. “Ter só uma profissão é pouco, nós precisamos lutar”.
O evento contou, ainda, com rodas de conversas sobre temáticas ligadas à Saúde. Os espaços foram de troca de experiências e para traçar novas estratégias de mobilização e luta em defesa da Saúde.